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Esporte e lazer

Com apoio de dois programas do governo do Estado, projeto de capoeira promove inclusão de pessoas com deficiência intelectual

O governo do Estado, vem investindo, desde 2025, mais de R$ 360 mil noprojeto Capoeira para Crescer, da Associação Raízes da Capoeira, de Porto Ale...

19/06/2026 17h57
Por: Edgar Marques
Fonte: Secom RS
Mestre Delmar orienta atividade com os alunos do projeto Capoeira para Crescer -Foto: Ascom SEL
Mestre Delmar orienta atividade com os alunos do projeto Capoeira para Crescer -Foto: Ascom SEL

O governo do Estado, vem investindo, desde 2025, mais de R$ 360 mil noprojeto Capoeira para Crescer, da Associação Raízes da Capoeira, de Porto Alegre, por meio de dois programas da Secretaria do Esporte e Lazer (SEL): o Pró-Esporte RS e o Todos no Jogo. Com aulas e oficinas ocorrendo em três locais, a iniciativa atende cerca de 100 beneficiários diretos, que utilizam a prática da modalidade para o desenvolvimento intelectual e físico, servindo de ferramenta de transformação social.

O projeto utiliza o esporte como ferramenta de inclusão para crianças e jovens em vulnerabilidade social ou com deficiências intelectuais múltiplas, além de difundir a capoeira por meio da prática esportiva."O apoio do governo do Estado, por meio do Pró-Esporte RS e do Todos no Jogo, reforça nosso compromisso em investir em iniciativas que transformam vidas, fortalecem comunidades e geram oportunidades para quem mais precisa", destacou o titular da SEL, Joel Maraschin.

Capoeira como parte do cuidado

Na sede do Instituto Crêser, localizada no Bairro Partenon, em Porto Alegre, aproximadamente 40 pessoas com idades a partir de 21 anos praticam capoeira todas as quintas-feiras pela manhã. No local, os participantes também recebem café da manhã, almoço e lanche da tarde. A prática se soma a outras ações da instituição como uma alternativa de atividade social para o grupo. “Atendemos alunos com deficiências intelectuais múltiplas, o que engloba toda uma gama, desde jovens no espectro autista até pessoas com Síndrome de Down. No verão, chegamos a atender cerca de 40 alunos no instituto, onde a capoeira acontece integrada a outras atividades, como a horta comunitária e a padaria", destacou o coordenador do projeto da atividade física, Mestre Delmar.

Prática da modalidade ajuda no desenvolvimento intelectual e físico, servindo de ferramenta de transformação social -Foto: Ascom SEL
Prática da modalidade ajuda no desenvolvimento intelectual e físico, servindo de ferramenta de transformação social -Foto: Ascom SEL

Pais se uniram para suprir necessidade e incluir os filhos

O instituto surgiu em 1997, como uma cooperativa, a partir de uma necessidade de pais e responsáveis por pessoas com deficiência intelectual. Quando os alunos concluíam o ensino médio, aos 21 anos, muitas famílias se deparavam com a rotina da falta de atividades de convivência e desenvolvimento para os filhos.

Inserida no Crêser, a iniciativa de capoeira no instituto é mantida pelo Programa Todos no Jogo, que é voltado ao desenvolvimento de projetos esportivos para pessoas com deficiência intelectual. “A gente via os alunos saindo da escola e sem ter para onde ir, e a capoeira nos deu ânimo para continuar", afirmou Carmen Carboni, uma das fundadoras do instituto e mãe de Taísa, aluna do projeto.

Com o aporte de R$ 172 mil, via Todos no Jogo, para o projeto Capoeira para Crecser, as sessões de capoeira envolvem aquecimento, movimentos, musicalidade e conhecimentos da história da capoeira e do Brasil. A atividade complementa as demais frentes de desenvolvimento da instituição. “No Instituto Crêser, nós trabalhamos com dois pilares essenciais: a educação ao longo da vida e o estímulo à formação profissional. O esporte, através das aulas de capoeira do Mestre Delmar, atua diretamente na estimulação constante desses alunos. Minha filha, Andressa, 37 anos, participa há quase 15 anos e vejo de perto essa evolução.”, explicou Leopoldo Moreira, presidente do instituto e pai de aluna.

Os alunos também participam de oficinas no local, sendo que, em algumas oportunidades, construíram instrumentos próprios da atividade, como o pandereco, o caxixi e o agogô. Uma dessa alunas é Iara Cabral, de 45 anos, que está desde o princípio do projeto: "Eu adoro dançar, participar da samba de roda e das aulas de capoeira. O projeto é maravilhoso, e o uniforme que recebemos é muito importante. Ali, eu encontro amigos e professores que me fazem feliz”, disse a aluna.

Projeto que contempla os mais jovens e cria laços

Foto mostra professor e alunos tocando instrumentos musicais produzidos por eles, no formato de uma caixa retangular. Outros alunos acompanham com palmas.
Alunos utilizam instrumentos percussivos produzidos por eles próprios durante as aulas -Foto: Ascom SEL
O segundo projeto apoiado pelo governo do Estado, via Pró-Esporte, recebe aporte de R$ 194 mil. Nesta iniciativa, Mestre Delmar e a Associação Raízes da Capoeira realizam aulas da atividade duas vezes por semana, também com a maioria dos participantes, dos zero aos 21 anos, sendo pessoas com deficiência, em duas instituições de ensino municipais de Porto Alegre: a Escola Municipal Especial de Ensino Fundamental Professora Lygia Morrone Averbuck e o Centro Municipal de Educação dos Trabalhadores Paulo Freire.

Por conta dessa continuidade, muitos alunos estão há quase 30 anos incluídos nas ações do mestre Delmar. “Já trabalho a capoeira com esse público há 35 anos, uma época em que essas pessoas ficavam ocultas. O projeto veio para quebrar esse isolamento, oferecendo uma ocupação real e um espaço de socialização. Estar aqui com eles é a gasolina que faz toda essa máquina andar", emocionou-se o Mestre Delmar.

A capoeira é, desde 2008, reconhecida como Patrimônio Cultural e o governo do Estado, via SEL, incentiva a prática a partir do investimento em outros cinco projetos da atividade, entre os programas Todos no Jogo e Pró-Esporte, com aporte de cerca de R$ 900 mil.

Sobre os programas

Desde 2019, o Pró-Esporte RS já viabilizou mais de R$ 170 milhões em projetos esportivos, ampliou o investimento anual de R$ 25 milhões para R$ 35 milhões e expandiu de 14 para mais de 60 o número de modalidades atendidas. O programa também registrou recorde de 839 projetos inscritos na primeira janela de 2026, consolidando-se como uma das principais políticas públicas de incentivo ao esporte no Estado.

Já o Programa Todos no Jogo, lançado em junho de 2023,é uma iniciativa inédita no Estado, voltado ao desenvolvimento de projetos esportivos para pessoas com deficiência intelectual. Desde lá, o governo do Estado vem investindo R$ 9 milhões em 19 entidades sem fins lucrativos que oferecem atividades esportivas para mais de 1,5 mil pessoas em 14 municípios.

Texto: Ascom SEL
Edição: Secom

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